O é a Capoeira

Capoeira é luta, jogo e dança. Brincadeira de movimentos perigosos, executados com graça, malícia e muitos rituais.»
(de «A Arte da Capoeira», Camille Adorno)
A Capoeira é uma arte marcial secular, que conjuga movimentos e golpes de ataque e defesa que são acompanhados por um ritmo constante de instrumentos.
É uma luta de movimentos combinando objectividade e precisão no ataque com defesas rápidas. Possui uma linguagem onde cada gesto significa e representa ideias, sentimentos e emoções. Capoeira é música, poesia, festa, brincadeira, diversão e uma forma de luta.
A dupla natureza, de luta e de brincadeira, dá a vida ao jogo da capoeira.
É repleto de ataques e de defesas constantes, rápidos e inesperados, onde o corpo atinge um nível impressionante de elasticidade, destreza e habilidade.
O capoeirista consegue conjugar o "floreio" com um jogo perigoso, onde a continuidade e a harmonia nunca se perdem e onde o Berimbau comanda a roda, acompanhado por um conjunto de instrumentos que dão vida à capoeira.
A música é um dos instrumentos de preservação da memória, trasmitindo através de cantigas tradições das diferentes épocas da Capoeira, ensinando História e contando «estórias» (como se diz no Brasil).
É hoje conhecida em todo o mundo como a «arte marcial do Brasil». Dança, luta, e música? Onde começa uma e termina a outra na capoeira? Ninguém sabe responder.
Berimbaus, esquivas de corpo, pandeiros, movimentos circulares com as pernas, palmas e a «ginga» constante que aproveita a agilidade do corpo para improvisar uma dança ritmada, mas bastante perigosa.
São estes os principais elementos que a caracterizam.

 

 


Origem da Capoeira

Porém, através da tradição oral e de raros registros, sabe-se que foram os africanos escravizados, aqui no Brasil, que desenvolveram essa luta, e algumas versões são normalmente bastante aceitas no meio capoeirístico.
Sem ter a menor intenção de encerrar ou limitar o assunto, vou destacar duas versões que, em minha opinião, são as que mais se aproximam do que realmente poderia ter sido a origem da nossa arte.
Origem rural
Alguns relatos nos indicam que capoeira é uma técnica agrícola que consiste em amontoar a vegetação que foi cortada para que ela se decomponha  naturalmente em cima do terreno que posteriormente será utilizado para o plantio. Essa técnica teria sido desenvolvida pelos índios aqui no Brasil e assimilada pelo africano escravizado.
Independente disso, acredita-se que o escravizado, burlando a vigilância do feitor, fugia para tal capoeira e lá revivia os folguedos de sua terra natal e dessa forma tentar atenuar o sofrimento da escravidão (prática essa, que por razões óbvias era extremamente reprovada e que invariavelmente terminaria em castigo no tronco).
Dos folguedos revividos, destaca-se o N'Golo (aqui chamado de "Dança de Zebra" - ritual de iniciação no sul de Angola e que simulava ou imitava as brigas das zebras na África. Era quando os guerreiros da tribo disputavam entre si, aos pares, para que o campeão dessa disputa pudesse escolher com qual mulher que ele queria casar sem precisar pagar o dote que era de costume).
Acredita-se que essa manifestação tenha sido a precursora da capoeira que conhecemos hoje, porque quando flagrados, era comum que o feitor justificasse dessa forma ao seu senhor: "- Esses vão para o tronco, porque estavam se batendo por mero divertimento na capoeira" - relacionando o nome da vegetação com aquela prática até então desconhecida.
Com o passar do tempo, essa manifestação passou a ser utilizada para distração do próprio dono da fazenda em dias de festas e posteriormente a principal arma do escravizado contra o seu opressor direto, o que garantia a fuga para os quilombos e, dessa forma, a conquista da liberdade tão sonhada.
Origem urbana
Como pudemos observar no início desse texto, capoeira também pode significar cestos de vime, que na época eram muito utilizados pelos escravizados, no cais do porto, para carregar aves galináceas (capões).
Esses carregadores, por causa de tal ofício, também eram chamados de capoeiras e nos seus raros momentos de folga, largavam os seus cestos e se reuniam para, ao som de palmas e cânticos, reviver os folguedos de sua terra natal, assemelhando-se assim à versão anterior.
Ainda no que diz respeito à essa versão, especula-se que esses carregadores disputassem entre si, através da luta, quem seria, por exemplo, o responsável pelo turno ou por determinada área do cais. Desse modo, era de se esperar que qualquer cidadão comum se referisse a esses trabalhadores com muito temor, dando origem à fama do capoeira ser bom de briga.
São essas as duas versões que com as quais eu mais me familiarizo (e que foram expostas de maneira bem superficial, é claro!), mas  por fim, deixo ao caro internauta a tarefa de dar continuidade a esse assunto com questionamentos e mais pesquisas e desde já me coloco a inteira disposição para sanar eventuais dúvidas ou ainda para mantermos esse contato.


 


Capoeira como Instrumento de Educação

A capoeira esta presente na educação com todo o seu exuberante acervo de informações, sua riqueza simbólica e seus movimentos de resistências.
Seus elementos como o movimento corporal, a musica, a improvisação, a arte, a dança, a luta, certamente, faz parte do cotidiano de cada um, e que se forem explorados de maneira efetiva e coerente, contribuirão, obviamente, para a instrução e a educação critica de nossas crianças, dos nossos adolescentes e adultos.
A capoeira que ajudou a fazer a historia do Brasil, não pode ficar de fora da educação dos brasileiros.


 

 
Batizado

O batizado na capoeira é uma festa de integração do calouro ao mundo capoeirístico. Ele tem dois objetivos: primeiro, dar ao aluno seu nome de capoeira e, segundo, estreá-lo na roda de capoeira. O batizado de capoeira foi criado por Mestre Bimba. Era realizada uma cerimônia simples para batizar (na época entregava lenços, hoje em dia são cordas) os alunos.
"Na academia do Mestre Bimba, era colocar o calouro para jogar pela primeira vez com o acompanhamento do berimbau, o mestre escolhia o formado e tocava" São Bento Grande ", o formado só acompanhava o calouro e o "forçava" a aplicar as defesas e "soltar" os golpes aprendidos. Ao final do jogo, o Mestre colocava o calouro no centro da roda e pedia que um formado lhe desse um apelido, ou ele mesmo dava. Depois de escolhido o nome, todos batiam palmas e ele estava batizado".
Hoje, geralmente, os nomes são dados fora de uma cerimônia específica e acontece aleatoriamente. Nem todos os grupos e mestres adotam este costume, de dar apelidos (nomes de capoeira) aos alunos.
Atualmente, o batizado de capoeira consiste em marcar a estréia do aluno nas rodas de capoeira, é a cerimônia que o aluno iniciante joga com um professor que lhe estréia na roda e lhe entrega a primeira graduação da capoeira. Da segunda em diante, já não é mais batizado e, sim, troca de graduação. Normalmente os grupos realizam algumas apresentações para tornar a festa mais atrativa, aproveitam também para divulgar seus trabalhos, além de seguir as tradições de nossa cultura.

 

 


Capoeira: Patrimônio Brasileiro
Manifestação cultural está inscrita nos Livros dos Saberes e das Formas de Expressão
No DNA físico e cultural do povo brasileiro está a contribuição africana
e só por preconceito é possível não reconhecê-la.
Juca Ferreira, ministro da Cultura interino
O registro do Ofício dos Mestres de Capoeira e da Roda de Capoeira como forma de expressão é mais um símbolo de uma vontade política que não se encerra no Iphan ou no Ministério da Cultura, mas que reflete o desejo maior da sociedade de promover e valorizar as expressões culturais vinculadas aos setores culturais historicamente excluídos das políticas de Estado.
Luiz Fernando de Almeida, presidente do Iphan
O dia 15 de julho de 2008 vai ficar marcado na memória dos Mestres de Capoeira, dos capoeiristas e de todos os admiradores de uma das maiores expressões culturais afro-brasileiras: a Capoeira. Essa é a data em que a manifestação foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.
A proposta de registro - a inscrição do Ofício dos Mestres de Capoeira no Livro dos Saberes e da Roda de Capoeira no Livro das Formas de Expressão - foi aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), durante reunião nesta terça-feira, em Salvador.
Capoeiristas da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro se distribuíram em diversas Rodas de Capoeira em frente ao Palácio Rio Branco, no centro da capital baiana, enquanto aguardavam o resultado da votação, que estava sendo realizada na Sala dos Espelhos, da antiga sede do governo estadual.
Os membros do Conselho Consultivo - composto por representantes de entidades governamentais e da sociedade civil - acataram, por unanimidade, o registro da Capoeira como Patrimônio Cultural. A sessão deliberativa ocorreu com a presença do ministro da Cultura interino, Juca Ferreira; do governador da Bahia, Jaques Wagner; do presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida; do presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo; dos embaixadores Kayode Garrick e Fode Seck, respectivamente da Nigéria e do Senegal; além de autoridades locais.
“Hoje tenho certeza que estamos vivendo um momento histórico nesse processo de valorização da Capoeira”, afirmou Juca Ferreira, ao ressaltar que com a decisão o Brasil fica mais próximo do ideal da democracia racial. “O significado maior desse dia não beneficia apenas a Capoeira, mas beneficia a todos nós, beneficia o Brasil.”
“Fiquei pensando, antes de chegar aqui, se era coincidência que os dois presidentes que fizeram movimento em direção à Capoeira tenham sido Getúlio e, agora, o Lula. Acho que não. Foram os dois presidentes que mais se aproximaram da população brasileira e de colocar o Estado mais próximo da população.”
Homenagem - Após o anúncio da decisão do Conselho, Juca Ferreira foi homenageado pelos capoeiristas, na Praça Municipal Tomé de Sousa. Na ocasião, lhe foi ofertado um cartão com uma caricatura dele ao lado do ministro Gil, com frase de exaltação: ‘Capoeira, Educação e Cultura’.
Festa de Celebração
À noite, no Teatro Castro Alves, ocorreu uma grande comemoração que reuniu autoridades, personalidades e populares. Em pronunciamentos exibidos por meio de um telão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, enviaram seus cumprimentos e celebraram o título de Patrimônio Cultural Brasileiro recebido pela Capoeira.
O evento contou com espetáculo no qual participaram a Orquestra de Berimbaus da Bahia, o músico Wilson Café acompanhado de adolescentes da Escola de Educação Percursiva Integral, o Mestre Lourimbau, Roberto Mendes, Mariane de Castro, Ramiro Musotto e Mestre Nenél (filho de Mestre Bimba), além do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos.
O presidente Lula afirmou tratar-se de uma data muito especial para o país e que a Capoeira é motivo de “orgulho nacional, praticada em mais de 150 países de todos os continentes”. “Foi preciso muitos anos para que reconhecêssemos o seu valor cultural. Getúlio Vargas foi quem deu o primeiro passo ao receber pessoalmente o Mestre Bimba, criador da Capoeira como arte marcial. De lá pra cá o Estado se dividiu entre a perseguição e a indiferença à Capoeira, chegando até a dizer quem poderia e quem não poderia ensinar essa arte. Mas tudo isso é passado. Estamos finalmente fazendo justiça.”
“A Capoeira dança, Capoeira luta, Capoeira artes circenses, Capoeira em todos os sentidos. Parabéns aos capoeiristas, parabéns a todos nós brasileiros”, exultou o ministro Gilberto Gil, por sua vez, ao apoiar a decisão dos conselheiros: “já era hora; muito merecida”.
A Bênção, Mestres!
O ministro interino Juca Ferreira afirmou que “faz parte da repactuação que estamos vivendo neste momento no Brasil, de qualificação de nossas relações, de zerar a nódoa da escravidão no Brasil. Isso tem que ser tarefa de todo homem e toda mulher de bem no Brasil”. “A dificuldade do Estado brasileiro em reconhecer a grandeza dessa manifestação é um sintoma que a herança da escravidão deixou marcada na nossa sociedade.” Nesse contexto, ele ainda parabenizou o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, pela atuação da instituição no processo de resgate e valorização das raízes africanas na cultura do país.
“Amanhã nosso país vai acordar mais generoso, mais próximo de si mesmo, um pouquinho mais perto da nossa grande utopia da democracia racial”, declarou Juca Ferreira, que estava visivelmente emocionado e foi muito aplaudido. Também ressaltou que o ato não seria completo se não fosse reconhecido o saber dos mestres: “sem ele é como se a Capoeira fosse corpo sem alma. A bênção, Mestres. A bênção, Pastinha. A bênção, Bimba. A bênção, João Pequeno. E a bênção a todos os Mestres presentes e os futuros”.
O governador Jaques Wagner divulgou que a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia já está tratando do manejo da biriba e das outras madeiras que servem à orquestra de Capoeira, além da preservação das cabaças, que são fundamentais para a dança da Capoeira. E anunciou que em 2009 o estado sediará o primeiro festival internacional da Capoeira.
“Eu considero [a Capoeira] não sei se luta, não sei se dança, não sei se brincadeira, se jogo. Na verdade, como luta, na Capoeira a gente não machuca. Como dança, na Capoeira cada movimento é absolutamente imprevisível, cada um faz o movimento do seu jeito. Como música, cada um fica no seu canto, sempre inspirado no mesmo contexto. E como jogo, jogar em roda significa que a gente não tem um chefe, a gente tem um mestre”, explanou Jaques Wagner.
Em seu discurso, o secretário Márcio Meireles reforçou o ‘momento histórico’ e falou sobre a parceria da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia com o Ministério da Cultura em vários programas. “Estamos ajudando na coordenação do Edital Capoeira Viva, que está em sua terceira edição este ano. Estamos lançando mais dois editais da Capoeira junto com o Ministério também.”
Desde a instituição do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, em agosto de 2000, já haviam sido registrados 13 bens representativos da herança cultural do Brasil. O presidente do Iphan ressaltou que “o título é, no entanto, apenas a culminância de um processo muito mais complexo, uma política de reconhecimento do valor patrimonial que acolhe demandas das próprias comunidades produtoras dessas manifestações culturais. Política que está, por sua vez, vinculada ao trabalho constante de fomento e implementação de ações que visam a continuidade e ao fortalecimento da expressão cultural registrada”.
A documentação do dossiê que fundamenta o pedido de registro da Capoeira justifica essa solicitação enfatizando seu vínculo com as mais variadas áreas de expressão e conhecimento humano, tais como a arte expressa por diversas linguagens - dança, teatro, música, educação, antropologia, história. “Sobretudo em comunidades pobres, a Capoeira cumpre um papel decisivo na formação de crianças e jovens. Arte multidimensional, oferece um universo vasto a quem se propõe pesquisá-la”, destacou Luiz Fernando de Almeida.
O presidente da Palmares assinalou que “a melhor homenagem que a Fundação poderia prestar hoje aqui é relembrar o mestre e poeta baiano Waly Salomão, que dizia que a felicidade do negro é uma felicidade guerreira”. Zulu Araújo também apontou a presença, na platéia, de Abdias do Nascimento - criador do Teatro Experimental do Negro e do Museu de Arte Negra - que, aos 94 anos, prestigiou o evento e foi muito elogiado por seu papel pioneiro na formulação de políticas de igualdade racial e de ação afirmativa.
No palco, além das autoridades, representando os capoeiristas do mundo inteiro, estava João Pereira dos Santos, o Mestre João Pequeno. Discípulo de Mestre Pastinha, é um dos mais antigos mestres da tradicional Capoeira Angola em atividade. Prestes a completar 81 anos de idade, afirma orgulhoso: “eu não estudei, mas a Capoeira me deu vários tipos de doutor”.
Plano de Salvaguarda da Capoeira
As políticas públicas voltadas para a Capoeira estarão configuradas em um Plano de Salvaguarda, que implementará as seguintes ações:
 

•    Reconhecimento do notório saber dos Mestres de Capoeira pelo Ministério da Educação
Espera-se que o registro do saber do Mestre de Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil possa favorecer a sua desvinculação obrigatória do Conselho Federal de Educação Física, ao qual a Capoeira está subordinada. Entende-se que o saber do Mestre não possui equivalente no aprendizado formal do profissional de Educação Física, mas que se estabelece como acervo da cultura popular brasileira. A proposta pretende contribuir para que Mestres de Capoeira sem escolaridade, mas detentores do saber, possam ensinar capoeira em colégios, escolas e universidades.
 
•    Plano de previdência especial para os velhos Mestres de Capoeira
Diante de um histórico de Mestres importantes, como Bimba e Pastinha, que morreram em sérias dificuldades financeiras, existe a sugestão da elaboração, junto à Previdência Social, de um plano especial para Mestres acima de 60 anos que tenham tido dificuldades de contribuir com a entidade ao longo dos anos. Como se trata de uma ação de emergência, que busca acolher os Mestres atuais que vivem em absoluto estado de carência, recomenda-se que essa proposta tenha implantação imediata e perdure até que os futuros Mestres possam dispensar essa ação de salvaguarda.
 

•    Estabelecimento de um Programa de Incentivo da Capoeira no Mundo
Outro ponto importante diz respeito à dificuldade dos Mestres circularem pelos países onde são convidados a ensinar Capoeira. Espera-se que o Itamaraty possa inserir a Capoeira nos seus programas de apoio à difusão da cultura brasileira e, dessa maneira, facilitar o trânsito de Mestres e grupos que oferecem cursos e apresentam rodas no exterior. O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, destacou, durante a cerimônia no Teatro Castro Alves, que a Capoeira é, atualmente, uma manifestação que representa o Brasil no exterior tanto quanto a Música Popular Brasileira e o Futebol.
 
•    Criação de um Centro Nacional de Referência da Capoeira
Foi proposta a criação do Centro Nacional de Referências da Capoeira no Brasil, que será virtual, de caráter multidisciplinar e multimídia, com o objetivo de abrigar produções científicas, acadêmicas e audiovisuais, dentre outras. Espera-se que essa iniciativa possa facilitar consultas de referências existentes sobre a Capoeira.
 
•    Plano de manejo de biriba e outros recursos
Atualmente, existe um amplo e crescente mercado de bens culturais constituídos por itens da cultura material da Capoeira. Muitos deles são confeccionados artesanalmente, valendo-se da técnica e matéria-prima nativa do Brasil. A biriba - madeira tradicionalmente utilizada na confecção dos berimbaus - é a mais utilizada, mas há outras madeiras da Mata Atlântica ameaçadas de extinção, como o pau d’arco, a pitomba, a tauarí , dentre inúmeras outras. Sugere-se o plano de manejo dessas espécies nativas ameaçadas para atender à crescente demanda de matéria-prima para a confecção dos berimbaus e demais instrumentos.
 

•    Fórum da Capoeira
O objetivo desse fórum é estimular encontros periódicos dos Mestres e estudiosos da Capoeira, em parceria com universidades. É notório que alguns Mestres possuem conhecimento acadêmico, mas não é o caso da maioria. Pretende-se com essa medida integrar a tradição oral ao ambiente de pesquisa acadêmica.
 

•    Banco de Histórias de Mestres de Capoeira
Com a criação dessa medida, serão realizadas oficinas de história oral para capoeiristas interessados em registrar as trajetórias de vida de Mestres antigos. O objetivo desse banco é dar suporte e integrar o Centro Nacional de Referências da Capoeira.
 

 
•    Realização do Inventário da Capoeira em Pernambuco
Existe a intenção de incentivar, auxiliar e aprofundar as pesquisas sobre a Capoeira em Recife, com base nas referências indicadas durante o processo de inventário utilizado no pedido de registro.
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção - Na mesma sessão deliberativa, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan também aprovou o tombamento da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, do Século XVII - que deu origem e nome à capital do Ceará - e sua inscrição em três dos Livros do Tombo: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico; e das Belas Artes.


 


INSTRUMENTOS  MUSICAIS
É muito difícil determinar com precisão a data de inserção de um determinado instrumento musical na capoeira. Além disso, em alguns livros e relatos, folcloristas, capoeiras e pesquisadores em geral descrevem as histórias dos instrumentos de forma definitiva, o que provavelmente corresponde à capoeira que vivenciaram, acabando por chegar a algumas conclusões contraditórias.
O primeiro registro de um instrumento musical relacionado com o jogo da capoeira aparece no início do século XIX, em 1835. Nessa ocasião, o artista Johann Moritz Rugendas apresenta na gravura de nome "Dança da Guerra", o jogo da capoeira sendo brincado ao som de uma espécie de tambor.  Esse registro é importantíssimo e clássico na capoeira, pois comprova a utilização do tambor durante uma vadiação " ou seria treinamento para luta? - de capoeira do século XIX. Porém não significa que nesta época não existissem outros instrumentos musicais associados ao jogo. Aquela foi a forma retratada por Rugendas, não excluindo a possibilidade da presença de outros instrumentos. Essa pode ter sido a capoeira que Rugendas viu e viveu durante sua estadia no Brasil. Porém, o mais importante é o registro da capoeira como manifestação muito difundida no início do século XIX, e da importância dos instrumentos musicais no jogo.
Seguindo os registros históricos, podemos perceber que a introdução de alguns instrumentos musicais utilizados atualmente é recente. Tudo indica que instrumentos como o agogô e reco-reco foram associados ao jogo da capoeira no século XX. Muitos aparecem com a criação do Centro Esportivo de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, ou seguindo a criatividade dos capoeiras. Há relatos de outros instrumentos presentes também no ritual da Angola, ou na Capoeira primitiva da Bahia, como é o caso da palma-de-mão e até da Viola (vide depoimento de Mestre Pastinha). Pastinha se referia à Capoeira Santamarense, onde segundo o Etnomusicólogo Thiago de Oliveira Pinto a Capoeira, o Samba e o Candomblé sempre tiveram uma interação muito forte.

 


 Berimbau
É o principal instrumento musical da capoeira, pois é ele que comanda numa roda, mostrando o tipo de jogo a ser realizado através de seus toques. O berimbau não existiu somente em função da capoeira, era usado pelos afro-brasileiros em suas festas e no samba-de-roda.
Diz a lenda, que uma menina saiu a passeio, ao atravessar o córrego de um rio, abaixou-se para beber-lhe a água com as mãos. No momento em que saciava sua sede, um homem deu-lhe uma pancada na nuca. Ao morrer, seu corpo se converteu na madeira; seus membros na corda; sua cabeça na caixa de ressonância e seu espírito na música dolente e sentimental (Lenda existente no Nordeste da África).
O Berimbau é um instrumento de percussão (corda percurtida) da família dos cordofones e de origem africana. Trazido para o Brasil pelos negros africanos escravos, popularizou-se através das manifestações populares como o samba de roda, candomblé e capoeira entre outras.
Na Bahia existia o Berimbau de boca que era um arco musical com corda de cipó Timbó, a caixa de ressonância, seja sustentando a madeira entre os dentes com a corda fora da boca, seja deixando a corda vibrar na cavidade oral, com a madeira fora. Atualmente é um instrumento raro de ser encontrado
Existia ainda o berimbau de barriga, hoje chamado simplesmente de Berimbau. No Brasil também era conhecido com o nome Uricungo e/ou Arco Musical. Na África existem várias denominações dadas ao berimbau. São elas: Arco Musical, Bucumbunga, Uricungo, Gunga e etc...
O Berimbau é tocado percurtindo uma baqueta (varinha de madeira) sobre o arame (aço de pneu de carro) com um caxixi (pequena cesta de palha ou vime), com sementes dentro que produz um som de chocalho que é segurado entre os dedos e na palma da mão, encostando-se um dobrão (moeda de cobre) no arame de aço, produzindo assim o som característico do instrumento. Na roda de capoeira existem três tipos básicos de berimbau:

 
Gunga ou Berra Boi - Berimbau de cabaça grande e som grave, cuja função é marcar o toque base de todos os instrumentos, além de coordenar o ritmo de jogo dos capoeristas;
Médio - Berimbau de cabaça de tamanho médio , pouco menor que a do Gunga . Produz som médio grave e tem a função de marcar, tocando o inverso do toque do Gunga;
Viola - Berimbau de cabaça menor, produz som agudo e tem a função de solo e improviso.


 
 
 Atabaque
É um instrumento que marca o ritmo do jogo. É de origem árabe, que foi introduzido na África por mercadores que estavam no continente através dos países do norte, como Egito. Provavelmente o atabaque tenha vindo para o Brasil através dos portugueses, para ser usado em festas e procissões religiosas. É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortados em ripas largo e presos umas às outras com arcos de ferro. Na parte superior são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e esticado.
 

 


 Pandeiro
Também é um instrumento que marca o ritmo do jogo. É de origem indiana, foi introduzido no Brasil pelos portugueses, que o usavam para acompanhar as procissões religiosas que faziam. Pandeiros podem ter peles de couro ou de plástico, porém as peles de couro produzem uma qualidade de som melhor, mas apresentam problemas de afinação causados por alterações climáticas, logo as peles de plástico são mais encontradas.
 

 


 Agogô
É um instrumento musical de percussão de ferro, entrado no Brasil por via africana. O termo vem do nagô, significando sino.
 

 


 Reco-reco
É um instrumento feito com um pedaço de madeira, ou bambu com sulcos, ou uma pequena mola de arame presa a uma base de madeira, por onde esfrega-se uma haste de metal em movimentos de vai-e-vem.
 

 


 Caxixi
O caxixi é um pequeno chocalho feito de palha trançada com base de cabaça, cortada em forma circular e a parte superior reta, terminando com uma alça da mesma palha, para se apoiar os dedos durante o toque. No interior do caxixi há sementes secas, que ao se sacudir dá o som característico.